DIMAS GARCIA
Dimas Planas Garcia
Pintor
Campinas, SP - 04/03/1938
   
 
 
 
 
  
 
 

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"DIMAS GARCIA"

BIOGRAFIA

Nascido Dimas Planas Garcia, artista contemporâneo, autodidata, pintor e gravador, natural de Promissão/SP em 04/Março/1938.

Muda-se para Limeira/SP, em 1946; entre 1954 e 1960 passa a receber orientação em desenho e pintura do Professor Ruy Corte Brilho no antigo Instituto de Educação Castello Branco de Limeira/SP.

Em 1970 fixa definitivamente residência em Campinas/SP, passando então a receber orientação artística de Di Saboy, J. Zanellato e Thomaz Perina.

Integra-se rápidamente no Movimento Artístico Plástico da Cidade.

Foi em 1960 que participou pela primeira vez e oficialmente de um evento de artes plásticas, era o Salão de Artes Plásticas da I Feira de Ciências e Artes do Curso Cientifico do Instituto de Educação Castello Branco de Limeira/SP, recebe então a primeira premiação de sua longa carreira artística plástica, uma "Medalha de Honra ao Mérito".

Em 1984, inicia em Campinas/SP, um trabalho de organização e realização de eventos culturais, administração e assessoria de espaços culturais e a artistas emergentes, num verdadeiro trabalho de "agitação cultural", na cidade, desprezando sempre qualquer apoio ou ajuda oficial por entender que a "cultura" não pode e não deve manter amarras com os poderes públicos e/ou econômicos.

De 1997/a/2007 - Passa a orientar e trabalhar como "voluntário" para a "Fundação Bezerra de Menezes de Campinas/SP", realizando um trabalho de "arte educação" direcionado para crianças carentes da periferia de Campinas/SP. Na análise critica e sincera do artista o melhor e mais importante trabalho realizado no campo das artes plásticas.

Realizou e participou ao longo destes últimos 48 (quarenta e oito ) anos, de 1960 a 2007, por todo o Brasil, por dezenas de cidades do Estado de São Paulo e também no Exterior de : 38 Individuais (sendo apenas 10 em Campinas/SP), 16 Individuais Simultâneas, 15 Exposições no Exterior, 57 Salões Oficiais, recebendo 30 Premiações, 112 Exposições Coletivas, tem 40 Obras em 29 Acervos Oficiais, recebeu 107 Citações de jornais e revistas especializadas, participou de 55 Corpos de Jurados de Salões Oficiais, por 37 vezes foi Curador de eventos de artes plásticas, realizou 14 "apresentações" de outros artistas plásticos, ocupou 08 Cargos Oficiais da Cultura, realizou 09 Coordenadoria de Espaços Culturais, realizou 06 palestras e oficinas de arte, organizou e realizou 484 Eventos de Artes Plásticas, totalizando assim 1.057 atuações e participações em eventos de artes plásticas.
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AS 10 (DÊZ) PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
DE UM TOTAL DE 38 EXPO INDIVIDUAIS

1979 - Campinas/SP - 1a./Gal. Teatro Municipal José Castro Mendes
1983 - Rio da Janeiro/RJ - 3a./Galeria "Macunaíma" da Funarte
Inap - Instituto Nacional de Artes Plásticas
1985 - Florianópolis/SC - 10a./Museu de Arte de Santa Catarina
1986 - Joinville/SC - 11a./Museu de Arte
1990 - Campinas/SP - 24a./MACC - Museu de Arte Contemporânea
1991 - Limeira/SP - 25a./Museu Histórico Major Levy Sobrinho
1992 - Atibaia/SP - 28a./Museu Municipal João Batista Conti
1993 - Piracicaba/SP - 30a./Espaço Cultural Engenho Central
1995 - Lisboa/Portugal - 32a./Galeria de Arte do Lisboa Penta Hotel
2002 – São Paulo/SP – 37a./Espaço Cultural CRC/SP
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AS 10 (DÊZ) PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES
INDIVIDUAIS SIMULTÂNEAS
DE UM TOTAL DE 16 INDIVIDUAIS SIMULTÂNEAS

1980 - Campinas/SP - Centro Convivência Cultural, c/Thomaz Perina.
1984 - São Paulo/SP – Gal. "Maison Des Arts", c/ T. Perina e Zalochi.
1985 - Curitiba/PR - Fundação Cultural de Curitiba, com Nilza Barude.
1986 - São Paulo/SP - Galeria do "Sesi" Avenida Paulista, com Zaloch.i
1988 - São Paulo/SP - Espaço Cultural Almeida Barone, c/ T. Perina.
1994 - Indaiatuba/SP - Expo "Dois tempos na pintura e no teatro".
Realizada no Museu Histórico do Casarão do Pau Preto em Indaiatuba/SP.
Dimas Garcia, Mário Bueno (1916/2001) e Thomaz Perina, Zalochi artistas plásticos
e Paulo Simões - artes cênicas.
1994 - Campinas/SP - Expo "Dois tempos na pintura e no teatro"
Realizada no Museu de Arte Contemporânea de Campinas. Dimas Garcia, Mário Bueno (1916/2001), Thomaz Perina, Zalochi - artistas plásticos
e Paulo Simões - artes cênicas.
1996 - Campinas/SP - Expo. "Aktualajo" Centro Conv. Cultural
com Mário Bueno (1916/2001), Thomaz Perina e Zalochi.
1997 - Campinas/SP - Museu Arte Contemporânea de Campinas
com Mário Bueno (1916/2001), Thomaz Perina e Zalochi.
1997 - Mogi Mirim/SP - Centro Cultural Lauro Monteiro Carvalho e
Silva, com Thomaz Perina, Zalochi.
2005 – Campinas/SP – MACC - Expo. “A Insistência na Pintura”.
Com Thomaz Perina, Vanderlei Zalochi e Vera Ferro.


OS 10 (DÊZ) PRINCIPAIS SALÕES OFICIAIS
DE UM TOTAL DE 57 PARTICIPAÇÕES

1960 - Limeira/SP - I Feira Ciências e Artes (M. Honra Ao Mérito).
1973/75/77/79/80/81 - Limeira/SP - I, III, V, VII, VIII, IX Salão Limeirense Arte
Contemporânea (M. de Prata/79) (M. de Ouro/80).
1979/82/84 - Ribeirão Preto/SP – IV, VII, IX Salão A Contemporânea.
1979/80/81 - Taubaté/SP - VII, VIII, IX Salão Oficial Artes Plásticas
(Pequena Me. de Ouro/79) (Aquisição Prefeitura Municipal/79).
1979/84 - Piracicaba/SP - XI, XVII Salão Arte Contemporânea (Menção Honrosa/79).
1980/81/82/83/84 - Araras/SP - V, VI, VII, VIII, IX Salão Ararense Artes Plásticas (Menção
Honrosa/80) (Med./ Bronze/81) (Med./ de Honra ao Mérito/82) (Med. Prata/84).
1980 - Salvador/BA - I Salão Nacional Artes Visuais Bahia.
1980 - Recife/PE - XXXIII Salão Artes Plásticas Pernambuco.
1986 - Castel Gandolfo/Itália - 50a. Sagra Delle Pesche.
I Mostra Extemporânea de Pintura, (Terceiro Classificado).
1986 - Roma/Itália - 43a. Exposição Di San Lorenzo.(Convidado).


AS 10 (DÊZ) PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES INTERNACIONAIS
DE UM TOTAL DE 15 EXPOSIÇÕES

1986 - Roma/Itália - Prêmio Nazionale Colosseum/86. (Placa de Prata e Artista Convidado).
1986 - Roma/Itália - Forum Interart no Pavillon D`Estate di Villa Miami.
1992 - Porto/Portugal - Festival Internacional Artes Plásticas na Porto Galeria de Arte 245.
1993 - Coimbra/Portugal - Exposição Arte Brasil/93 Câmara Municipal de Coimbra.
1994 - Havana/Cuba - Exposição Arte Del Momento, Intercâmbio Cultural. Cuba/Brasil. Exposição Galeria Latino Americana . "Casa de Las Américas".
1994 - Havana/Cuba – Expo. Arte Del Momento. Intercâmbio Cultural. Cuba/Brasil. Exposição Sala Rubén Martínez Villena da Union de Escritores y Artistas de Cuba.
1994 - Havana/Cuba – Expo. Arte Del Momento. Intercâmbio Cultural. Cuba/Brasil.
Expo.Instituto Cubano de Amistad Con Los Pueblos.
1995 - Lisboa/Portugal – Expo.Arte Brasil/95. Espaço Altis Park Hotel. Lisboa/Portugal.
Expo.Aspectos Artes Plásticas Portugal, na Galeria Lisboa Penta Hotel.
Nisa/Portugal – Expo.Luso Brasileira. Câmara Municipal de Nisa.
1996 - Évora/Portugal - Expo Artes Plásticas Na Lusofonia, Palácio Dom Manuel de Évora.
1999 - Lisboa/Portugal - Coletiva consagrados artistas brasileiros Galeria Lisboa Penta Hotel.
2006 – Lisboa/Portugal – Coletiva da Associação dos Artistas Plásticos de Carcavelos,
Portugal. “IV Carcavelos Arte Hoje”. Movimento Artístico da Linha cascais-Lisboa.
2006 – Lisboa/Portugal – Expo organizada pela “ATEAR” Associação dos Artistas
Plásticos de Carcavellos, Portugal. Intercâmbio Cultural Brasil/Portugal. Artista
Convidado. Exposição “Artistas do Rio” na Galeria “IF”.

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AS 10 (DÊZ) PRINCIPAIS COLETIVAS BRASIL
DE UM TOTAL DE 112 PARTICIPAÇÕES

1985 - Porto Alegre/RS - Coletiva "Contemporâneos de Província"
no Museu Arte Rio Grande do Sul.
1986 - São Paulo/SP - Coletiva "Galeria André".
1988 – Brasilia/DF - Exposição Professores e Colaboradores Puccamp
no Hotel Nacional de Brasília/DF.
1990 - Rio de Janeiro/RJ - Coletiva Galeria Arte Borghese.
1994 - Valinhos/SP - I Bienal Paulista de Arte Contemporânea,
Artista Convidado Para Representar Campinas/SP
1994 - Valinhos/SP - Expo Arte do Momento. Intercâmbio Cultural.
Brasil/Cuba. Exposição Centro Social Gessy Lever.
1994 - Blumenau/SC – Expo. Arte do Momento. Intercâmbio Cultural. Brasil/Cuba.

Exposição Biblioteca da Fundação Universidade Regional de Blumenau/SC.
1994 - São Paulo/SP – Expo. Arte do Momento. Intercâmbio Cultural.
Brasil/Cuba. Expo na Oficina Cultural Amacio Mazzaropi.
1994 - São Paulo/SP – Expo. Arte do Momento. Intercâmbio Cultural. Brasil/Cuba. Exposição
no Auditório Alceu Amoroso Lima da Secretária da Cultura do Estado.
1995 - Campinas/SP - Panorama Cultural de Campinas/95 no Museu Arte Contemporânea
1996 - Campinas/SP – Expo. Acervo do Museu Arte Contemporânea,
"31 Anos de Preservação e Memória do MACCampinas”
2002 - Campinas/SP - Museu de Arte Contemporânea
Expo. “Os Herdeiros de 22 no Acervo do MACCampinas”
2002/a/2006 - Campinas/SP - Espaço Cultural SindCon Bienal
Expo.“I Panorama das Artes Plásticas de Campinas 2001/2002”
2002 – São Paulo/SP – Expo. “Acervo do Palácio 9 de Julho”
“Espaço Cultural da Assemblei Legislativa do Estado”, Organizada Pelo Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico do Estado” no Estado de São Paulo – IPH/SP.
2007 – Campinas/SP – Espaço: Saguão da Estação Cultura.
Antiga Estação Ferroviária da Cia.Paulista de Estrada de Ferro. Expo Pluralidade.
Oito consagrados contemporâneos Campinas/SP.
2007 – Campinas/SP – Espaço: Saguão da Estação Cultura Antiga Estação Ferroviária da
Cia.Paulista de Estrada de Ferro. “V Expo Panorama das Artes Contemporâneas de
Campinas/SP. Reunindo 42 consagrados artistas contemporâneos da cidade.

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AS 10 (DÊZ) PRINCIPAIS ATIVIDADES EM ARTES PLÁSTICAS,
ORGANIZAÇÃO E REALIZAÇÃO DE EVENTOS,
DE UM TOTAL DE 484 EVENTOS
ORGANIZADOS E REALIZADOS

1984/a/1986 - Campinas/SP - Organiza e administra o "Grupo Campinas Arte Hoje". Congrega 40 artistas contemporâneos, realizam exposições em Piracicaba/SP, São Bernardo do Campo/SP, Osasco/SP, Jundiaí/SP, Ribeirão Preto/SP, Franca/SP e Santo André/SP, sem qualquer ajuda oficial e/ou apoio cultural.

1987 - Campinas/SP - Organiza e realiza com o artista plástico e Professor do Instituto de Artes da PucCamp, Paulo Cheida Sans a "I Bienal Internacional de Gravura de Campinas". O evento reuniu 304 gravadores de 46 paises, com ampla repercussão a nível nacional e internacional.

1987 - Campinas/SP - Fundador "MAMCampinas" - “Museu de Arte Moderna de Campinas Empreendimentos Culturais Ltda”. Sendo seu Diretor Executivo até a presente data. Em Agosto/2007, Funda a “Associação MAMCampinas”. E assume e Cargo de Vice Presidente.

1987 - Organiza e realiza com o Professor Paulo Cheida Sans o "I Salão Regional de Arte Contemporânea de Campinas/SP", para a Delegacia Regional de Cultura do Estado.

1992/a/2007 - Passa a organizar e realizar anualmente o "SindCon-Arte". O Salão é formatado para nos anos pares se realizar o "Salão Nacional de Arte Contemporânea" e nos anos impares o "Salão Nacional de Belas Artes".

1993 - Organiza e realiza com a curadoria do Professor Paulo Cheida Sans a Exposição Itinerante "Artistas & Tendências". O grupo fez Exposições em Brasília/DF, Joinville/SC e Florianópolis/SC.

1995 - É nomeado pelo Prefeito Municipal de Atibaia/SP, Presidente da Comissão Organizadora do "X Encontro de Artes Plásticas de Atibaia/SP".

1997/a/2007 - Passa a orientar e trabalhar como "voluntário" para a "Fundação Bezerra de Menezes de Campinas/SP", realizando um trabalho de "arte educação" direcionado para crianças carentes da periferia de Campinas/SP. Na análise critica e sincera do artista o melhor e mais importante trabalho realizado no campo das artes plásticas.

2000/2002 - Organiza e realiza para o Sindicato dos Contabilistas de Campinas - SindCon, o Primeira e a Segunda “Bienal Internacional de Arte Infanto Juvenil do SindCon-Arte".

2002/2006 – Organiza e realiza para o Sindicato dos Contabilistas de Campinas – SindCon, o “Panorama das Artes Plásticas de Campinas”.
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PARECERES CRITICOS

"GEOMETRIA HIPERSENSÍVEL"

"A geometria que Dimas Garcia cultua é sensível, bem distante da geometria matemática e racional dos teoremas. É sensível porque é construída com a emoção da cores e a ordenação das retas, do grafismo arquitetado.

Dimas Garcia busca denunciar a padronização do mundo em que vivemos, inclusive até nas moradias, hoje denominadas conjuntos habitacionais, onde os homens perdem sua condição individual para tornarem-se o robô coletivo. Dimas Garcia explora as formas geométricas exaustivamente, dando-lhes coloração chapada e, assim, favorecendo ainda mais a presença marcante da linha, elemento primordial de sua busca."
Alberto Beuttenmuller

"Sobre a Série Habitat II"
Individual Simultânea de Dimas Garcia e Thomaz Perina.
Apresentação de Alberto Beuttenmuller e José Teixeira Leite,
Espaço Cultural Almeida Barone de São Paulo/SP em 1988.
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"A CASA COMO MÁQUINA DE SONHAR"

"Sobre a Série Habitat II"

Ao longo de uma notável carreira de pintor e promotor cultural, desenvolvida na cidade de Campinas/SP, Dimas Garcia escolheu um vocabulário que permaneceu de uma simplicidade austera, desde o início de sua atividade artística. As formas são o quadrado e o triângulo, com algumas variantes como o losângulo e o trapézio; as cores são utilizadas em combinações binárias, aqui também as variações são poucas, duas ou três tonalidades com seus respectivos camaïeus - as nuances de uma mesma cor.

A sintaxe, na obra de Dimas Garcia, ou seja a composição, obedece ao mesmo rigor que a escolha dos elementos formais e cromáticos. A economia nos meios empregados consegue em efeito sedutor apesar do método ascético que consiste na repetição do mesmo algoritmo, seguindo um ou dois eixos de simetria, sem que haja preferência, na forma final da obra, pelo eixo horizontal ou pelo eixo vertical. Para não confundir o espectador, às vezes Dimas Garcia coloca números na tela, decidindo da orientação do olhar, mas acontece que para algumas obras, isto não faz nenhuma diferença. Como em certos truques de ótica, existe um ilusionismo inerente à combinação formas/cores e o resultado obtido nesses casos, de maneira deliberadamente calculada pelo artista, se aproxima do optical art e lembra Vasarely.

Sem mudar de linguagem, e obedecendo sempre a uma disciplina seletiva dos meios de expressão, nas suas obras mais recentes Dimas Garcia explicita o que ele considera ser o tema único de sua obra, tanto do ponto de vista formal quanto do ponto de vista conceitual : "a casa". Ele afirmava alguns anos atrás : "meu objetivo é mostrar o congestionamento dos espaços urbanos pelas construções . . . a sufocação da natureza . . . a habitação como cela."

Nas telas mais abstratas, os triângulos eram telhados, os quadrados e retângulos formavam paredes sem portas nem janelas. Mas as casas eram ou não percebidas como tais, e a mensagem de Dimas Garcia, através da "geometria hipersensível" de suas telas - como a definiu Alberto Beutenmüller - era captada ou não, aparecendo obviamente "a presença marcante da linha", segundo o crítico.

"Sobre a Séria Ecoambiência I"

Agora, a mesma forma se repete modularmente, bem menor e identificável, disposta em fileiras ora verticais ora horizontais, ou em amontoados bem ordenados, casinha obsessiva, monótona, na sua mesmice, quanto mais insistente que sua cores não são agressivas. Pelo contrário, a palheta de Dimas Garcia é apagada, fria, além de ser reduzida. Das cores chapadas das telas puramente geométricas, Dimas Garcia passou para um trabalho de texturas muito sutis e delicadas, tratando parte da tela - acima ou abaixo da linha de casinhas - em pinceladas leves, como nuvens de penugem ou flocos de neve, numa técnica que lembra a aquarela e é obtida por uma dosagem certa de água na tinta acrílica. Esse artifício acrescenta a geometricidade das casas um efeito que pode ser interpretado como uma maior liberdade no metier ao mesmo tempo que a insinuação do lirismo dentro do abstracionismo, e que Dimas Garcia explica como sendo "a expressão da natureza dentro do mundo humano". Liberdade ou libertação sugere também a franja que circunda a tela, entre seu contorno bem traçado e a moldura, um espaço tratado com muita soltura, quase um borrão, espaço que foge do discurso severo do quadro, uma espécie de sorriso do artista . . .

Sem retórica exagerada, com uma lógica que o faz descartar de sua produção - suprimindo-as, simplesmente - as telas que não correspondem aos critérios que definem para ele a obra acabada, Dimas Garcia comunica sua visão de um mundo onde o homem é infeliz, num contexto urbanístico totalmente caótico, triste como uma prisão, cercado por uma natureza onde o verde das árvores e o azul do céu e do mar começam a se alterar, porque o homem esvaziou a vida deles.

A mensagem que Dimas Garcia pretende veicular na sua obra plástica, por mais trágica que seja, não consegue alterar a serenidade que comunicam suas composições perfeitamente equilibradas e a doçura que se depreende da harmonia de cores pastel que caracterizam sua palheta. Se para o artista a habitação é uma cela, para o espectador as casas de Dimas Garcia fazem sonhar, são os elementos de um mundo estético cuja contemplação proporciona um prazer delicado, refinado, tão exigente na sua satisfação quanto o artista no seu processo de criação, um prazer de connaisseur.
Madame Josette Balsa

"Sobre a Série Habitat II e Ecoambiência I"
Texto de apresentação para a exposição individual no
Museu de Arte Contemporânea de Campinas/SP em 1990
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"DEPOIMENTO"
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Sobre a Série Colagens (1970/1980)

As colagens são para mim o esboço do meu processo criativo. Por trás da aparente simplicidade destes trabalhos, há toda uma silenciosa pesquisa que de repente aflorou.

Cada quadro é um ato frustado de viver, de amar; representado pela manipulação lógica e pura de três elementos do mundo objetivo : a linha, a cor e a forma.

Imagens amalgamadas em vivências pessoais, imagens geometrizadas da vida, em linhas frias da realidade, em cores quentes do sofrimento ou em neutras da desesperança, em formas difusas da falcidade humana.
__________________________________________________Dimas Garcia

"DEPOIMENTO"
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Sobre a Séria Habitat (1980/1990)

Represento geometricamente meus objetivos, visto que a forma geométrica é a mais pura e simples possível.

É a interpretação de uma realidade, ou a criação de uma nova realidade, ainda não entendida ou visualizada. É a história da caminhada de um artista plástico dentro do mundo urbano real, dotado - ele, artista - de um poder visual não comum ao homem atual.

É a representação de fragmentos do mundo urbano, ou a representação de áreas urbanas, tornando o abstrato atemporal, porém estético e documental ao mesmo tempo.

É a representação de paisagens continuamente monótonas, resultado de uma febre construtiva apressada e estúpida, sem cultura e sem história, onde o bairro seguinte se parece sem originalidade com o anterior e o anterior ao anterior . . .

Meu objetivo é mostrar o congestionamento dos espaços urbanos pelas construções, ora sem planejamento, ora sem estética; as cores frias e padronizadas das construções; a monotonia dos excessos acromáticos, a substituição indiscriminada dos espaços verdes pelos espaços concretados; a sufocação da natureza; a extinção da vida vegetal e animal, pela ausência de sua representação; a auto-hermetização do ser humano em espaços chamados habitações;
"a habitação como cela ...“

Dimas Dimas ________________________________________________


“DEPOIMENTO DO ARTISTA”

Sobre a Série Ecoambiência (1990/2007)

Ecoambiência fala da vida moderna, enfatizando a solidão, o isolamento do homem em seu próprio ambiente. A paisagem despojada ilustra a aridez da vida, o vazio representa a distância afetiva e psicológica entre as pessoas, o cotidiano, a monotonia, a incomunicabilidade, a massificação . . .

Nas telas nada é enfatizado, a mensagem é enxuta, não há detalhes desnecessários e nenhuma preocupação virtuosistica. Representam o isolamento, a ausência de espírito na vida urbana, a busca do equilíbrio harmônico entre a figura, o ambiente e o vazio.

Em estilo próprio, de forte expressão, num figurativo realista, eu, artista, tento desvendar o anonimato.

Dimas Garcia
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31/DEZEMBRO/2007

A EXPOSIÇÃO "TRAJETORIA" (1969/2009)

Mostra uma parte da produção do artista plástico do periodo, acima posto, a saber, de 1969/1979, quando trabalhou com colagens, montando mensagens, de 1979/1989, quando trabalhou com o geometrismo usando a casa como elemento principal, a urbe, e o periodo de 1989/2009, é a fase mais longa, o casario dá lugar ao vilarejo, a igreja se torna elemento referencial da espiritualidade, o artista é resgatado para seu interior rural, o artista é levado para seu interior, para suas origens e descobre a verdade que o poeta dizia: "eramos felizes e não sabiamos...".
Dimas Garcia

 
 
 
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